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Abaixo segue um trecho de um capítulo onde Caio Zip é levado para o o
Antigo Egito conhecendo então o faraó Ramsés II, filho da Luz. Caio,
como mensageiro do deus Rá, tem a missão de aprender os específicos
conhecimentos capazes de erguer as gigantescas pirâmides sobre as areias
quentes de um antigo tempo..
Noções de área e volume aproximam o
mensageiro divino da batalha final de Kadesh e por último tem a promessa
da revelação do maior tesouro.
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Escrito por Regina Gonçalves
– Com as estrelas
temos os pontos...Com apenas dois pontos fazemos uma reta para medir a
distância para qualquer lugar. Com um ponto e uma reta tenho o plano,
uma superfície sem fronteiras, sem fim. Infinito como os sonhos,
infinito como as conquistas do homem – o soberano voltou-se para o
garoto e discursou. – Meu filho!Nossa jornada está apenas começando.
Teremos muito o que fazer nos amanhãs que estão por vir. Descanse agora,
para depois conseguir despertar para as novas descobertas.
O faraó se
retirou do recinto, mas Caio não conseguiu mais descansar. Aproveitou o
resto da noite para conhecer todo o palácio, seguido pelos guardas. Ao
passear pelos longos corredores, o garoto ficou impressionado. As
paredes eram iluminadas por pequenas lamparinas, que acentuavam os tons
vermelhos, azuis e dourados das pinturas. Como as paredes, os móveis e
os objetos eram ornamentados com desenhos coloridos ricos em detalhes,
que revelavam como era o dia-a-dia, a cultura e as crenças dos homens e
das mulheres daquele lugar, daquele tempo.
No dia
seguinte, depois de uma noite excitante, Caio achou melhor acreditar na
sorte e ver o que o destino lhe reservara.
Ramsés
levou o garoto, juntamente com sua comitiva, para um lugar no deserto.
Chegando lá, viu que já havia um movimento de milhares de operários,
talvez por volta de 20 mil, que estavam ajudando na construção de uma
obra imensa.
Aqueles
trabalhadores não eram escravos. Uma parte era formada por operários
permanentes e a outra por agricultores. Nessa época do ano, agosto a
setembro, o rio Nilo, fonte de vida e de riquezas, impedia o trabalho
nos campos. Era a estação da cheia. Suas águas subiam e, cobrindo as
terras como dádiva, despejavam uma espécie de lama rica para o cultivo,
o húmus.
Na
construção havia centenas de animais, que também ajudavam no plantio,
transportando enormes blocos de pedra calcária que seriam utilizados na
construção.
Os
operários estavam preparando o terreno para começar a medir a superfície
a ser trabalhada.
Todos
estavam esperando o grande Ramsés e sua comitiva, na qual se incluía o
mensageiro divino e o arquiteto.
O soberano
do Egito desceu da sua carruagem puxada por dois cavalos brancos.
Contemplou a região e ficou observando minuciosamente o movimento de
alguns homens que arrastavam pedras. Essas pedras eram trazidas
de uma distância de 800 Km rio acima, utilizando jangadas.
O
arquiteto aproximou-se de Caio. Era um homem bronzeado alto, forte e de
meia-idade, e disse:
– Eu ainda
não me apresentei. Eu sou Saary. Fui o tutor do nosso grande faraó e
agora estou empregando meus conhecimentos de arquitetura nesse novo
maravilhoso monumento. Nós, os egípcios, somos os pais do estudo das
áreas planas. Usamos esse conhecimento para construir grandes obras, com
a perfeição que nossos deuses exigem, e também para calcular a extensão
das terras, com isso podemos cobrar com exatidão os impostos dos
agricultores. Sabemos que as construções como essa exige pelo menos 15
anos de dedicação, mas nossa recompensa é saber que dessa maneira nossos
deuses serão louvados por nosso povo e temidos pelos nossos inimigos.
Saary
explicou a Caio que Ramsés tinha estudado muito com ele para se tornar o
soberano de todo Egito. Afinal, não bastava ser filho de faraó para
poder assumir. Era necessário passar por várias provas de conhecimentos,
como o estudo dos astros, dos rituais secretos, da leitura de textos e
tratados de matemática e geometria. Também era obrigatório passar num
teste de coragem, que consistia na luta contra um touro somente usando
as mãos e a inteligência. Com se fosse uma medalha, o faraó usava,
amarrado na sua cintura, o rabo do touro que lutou quando tinha apenas
14 anos.
Seu pai,
além de fazê-lo passar por todas essas provas quando jovem, levava-o
para as batalhas na Líbia como comandante-chefe. Dessa forma, Sethi
acreditava estar preparando o futuro sucessor com coragem, força de
vontade e sabedoria.
Enquanto
conversavam, o faraó olhou em direção do deserto e percebeu a silhueta
de um homem vindo em sua direção.
– É o
grego, nosso amigo!- disse o rei.
- Quem é
ele?- indagou Caio.
– É o
sábio Heráclito – esclareceu o arquiteto. – Ele vem de muito longe para
poder estudar as nossas obras. Gosta de ver como fazemos os cálculos tão
precisos na construção de nossos templos e das antigas obras colossais
de nossos antepassados. Só não lhe revelamos nossas armadilhas contra os
ladrões de túmulos e nossos inimigos. Nossas atuais obras, os templos,
como também os túmulos no Vale dos Reis, onde estão sepultados os corpos
de nossos faraós e suas riquezas, para que possam fazer a grande viagem
para a casa de Deus Rá., possuem grandes segredos.
O grego estava bem perto. Usava uma
roupa simples e sandálias de couro. Carregava uma bolsa de água e
grandes rolos de papel, denominados pergaminhos, amarrados em tiras de
couro. Finalmente, ele chegou e saldou os presentes:
– Salvem,
amigos!
– Como
vai, Heráclito!– saudou Ramsés.
– Pronto
para os conhecimentos que estão por vir, majestade. Mas quem é esse
rapaz? – o grego olhou para Caio como que tentando descobrir pela suas
vestimentas de onde poderia ter vindo.
– Este é o
nosso divino mensageiro do deus Rá. Veio para aprender com as nossas
obras e depois ajudar na construção do Templo.
Heráclito
ficou visivelmente impressionado com o rapaz e principalmente com
aqueles trajes tão diferentes. Ele reverenciou o divino e depois
filosofou:
– O tempo
é um adolescente jogando damas, o poder supremo é o de um adolescente.
Estou honrado com sua nobre presença, divino rapaz. Estou a seu serviço,
mensageiro de Rá. Ficarei agraciado em ser-lhe útil e ajudá-lo em sua
grande missão.
– Podem me
chamar só de Caio, por favor.
– Muito
bem, Cairo.
– É CAIO!
– corrigiu o rapaz.
– Como
queira, Caio – o grego deu um leve sorriso. Em seguida tirou algo da
bolsa e mostrou aos outros. – Hoje trouxe para vocês os pergaminhos com
os meus cálculos...
– SEUS! –
gritou zangado o arquiteto. – Como ousa? Nós estamos aqui há tanto
tempo, construindo nossas DIVINAS OBRAS, e você, só porque gosta de
expressar tudo no pergaminho, se acha o senhor de nosso conhecimento
milenar?
– Ora!
Claro que não, Saary. Só estou tentando registrar tudo. Sua escrita é
deveras complicada.
– E vocês,
gregos, ficam com a glória?
– Nós, os
gregos, ainda não somos um povo unido, estamos ainda à procura de terras
para podermos começar a nossa civilização. Uma das razões de eu estar
aqui é para ensinar ao meu povo e também aos filhos do amanhã como uma
grande nação é feita, deixando registrado, por exemplo, como foi
realizada a construção desse pãozInho.
– PARE! –
ralhou o arquiteto com o sábio. – Sabe que não suporto como vocês gregos
denominam as obras colossais feitas pelos antigos faraós e que, graças
aos malditos ladrões, deixamos de construir.
– Ora,
meu amigo... O nome representa muito bem essa construção. Afinal, isso
não parece um pãozinho?
- NÃO! Já
havíamos combinado que a denominaríamos, em grego, de pirâmide, ou seja,
Centro do fogo, pois tudo que passa por esse elemento se transforma, se
renova.
- Tá bom!-
concordou Heráclito com ar de brincalhão e continuou.- E para os
monumentos finos e altos que mais parecem uns espetos?
- SÃO
OBELISCOS!- gritou furioso Saary.- São os consagrados ao sol. Acho que
uma das razões de estar aqui é para ter alguém com quem brigar, não é,
grego? – Saary começou a enfurecer-se como uma tempestade de areia no
deserto que surge sem aviso. Sua voz ficou alterada. – Seu grego
duma...Quer arranjar confusão? Quer?
Nesse
momento Ramsés intercedeu na discussão:
– Os
grandes líderes, na guerra, sabem quando devem desistir de uma batalha,
mas parece que esses sábios aqui não têm essa capacidade, não é, meus
amigos?
Terminada
a discussão, o arquiteto mostrou um projeto, explicando a Caio as etapas
de como era calculada pelos antigos arquitetos a medida da superfície
onde foi construída uma pirâmide há séculos atrás.
– Vou
fazer um modelo pequeno da obra colossal para mostrar como fazíamos essa
construção, utilizando ferramentas tão rudimentares e, mesmo assim, de
forma tão precisa.
CALCULANDO ÁREA
O
arquiteto ordenou a alguns operários que posicionassem
pequenas
pedras
longas, uma ao lado da outra, até que formassem um retângulo, com um
lado possuindo 5 pedras e o outro 8 pedras.
O
arquiteto ordenou a alguns operários que posicionassem
pequenas
pedras
longas, uma ao lado da outra, até que formassem um retângulo, com um
lado possuindo 5 pedras e o outro 8 pedras.

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Depois,
ordenou que o retângulo fosse preenchido com blocos em forma de
quadrados com lados do mesmo tamanho que as pedras longas. Ele então
começou a contagem dos blocos que eram necessários para preencher todo o
retângulo. Escreveu o resultado numa prancheta com argila molhada.
– O número
de quadrados encontrado é a medida dessa superfície...
– Eu vou
chamá-la de ÁREA! – exclamou o sábio muito animado.– Nós os gregos somos
bons em dar nomes.
CONTINUAÇÃO NO LIVRO ENIGMAT - que bicho é esse? VOLUME 1
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